Arquivo para Abril, 2009

Bob Dylan e o eterno retorno

Jimbow, drifting over the music..

Por que Bob Dylan é tão famoso? Porque ele consegue traduzir a complexidade da vida em letras precisas mesmo em cima de melodias simples e uma voz, na minha opinião, terrível. Quem já viu um show de Bob Dylan pode atestar que ele parece não gostar de cantar e o faz apenas porque tem um microfone na frente.

A combinação complexidade lírica + simplicidade melódica + voz terrível parece hipnotizar os seus fãs. A vida é mais ou menos assim não é? Simples, porém complexa, e de vez em quando com alguns momentos ruins (ou terríveis).

Quando se está sozinho, distante físicamente ou psiquicamente de tudo e todos e escuta-se Like a Rolling Stone, o coração alivia o aperto. É como se Dylan estivesse no mesmo barco que você, cantando How does it feel, to be without a home, like a complete unknown, like a Rolling Stone. Traduzindo: como é sentir, não ter um lar, como um completo desconhecido, sendo uma pedra que rola – entenda: ser ninguém, um nada. Respondo: é ser forte. Não existe tanto espaço para fraqueza nesta situação.

A vida é imprevisível. Por mais que tento controlá-la percebo que a quantidade de variáveis incontroláveis é muito maior. É tipo aquela história trágica que você escutou: poxa, fulaninho era todo correto, dirigia a no máximo 60Km/h e um belo dia indo para a praia um passarinho bateu no pára-brisa quebrando-o, fazendo com que ele caísse na ribanceira e falecesse. Quem poderia imaginar um passarinho batendo no pára-brisa e matando fulaninho? É por esse tipo de coisa que tanta gente acredita em destino, o famoso quando tem que ser será. Eu não gosto de acreditar no destino, me faz sentir ainda mais uma marionete na mão do desconhecido.

O ponto é: o presente é muito valioso. Por mais que quase sempre projetemos as nossas vidas, nunca devemos esquecer disso. A vida é um filme cósmico, quando morrermos nós veremos, repetidamente, tudo o que vivemos, para toda a eternidade. Diante disso, eu tento viver coisas que valham a pena serem tantas vezes revistas. Já vivi várias e quero viver mais.

Por fim, finalizo de maneira um tanto poética: quero me transportar, flutuar por entre as notas, pelo carisma de uma bela canção, por caminhos nem sempre belos mas que lá no fundo, te fortalece e faz perceber que és só mais um no mundo e que isto faz parte da vida.

E você segue rolando, como uma pedra.

Thank you Mr. Bob Dylan.

Mudando

Jimbow, suspicious mind.

Ao longo dos anos mudamos nossa forma de encarar a vida, faz parte da evolução pessoal. Alguns dizem que estamos deixando de lado e  virando a casaca quanto a crenças tidas como máximas no nosso jeito de agir e pensar mas digo que isso é bobagem.

A linha filosófica de Nietzsche, por exemplo, pode ser dividida em três ou seja, ele evoluiu e também mudou o seu jeito de pensar ao longo dos anos.

Quanto mais conhecimento adquirimos mais propensos estamos a mudar. Não é feio mudar, feio é ficar parado no tempo. Quem fica parado é pedra.

Recentemente me dei conta de que evolui muito minha linha de raciocínio e julgamento das situações. Por exemplo: penso que chorar não é demonstração de fraqueza. O choro muitas vezes é uma expressão de vazão necessária diante de uma angústia ou sofrimento mais sério. Até mesmo chorar num filme não me impressiona mais negativamente, nem me diminui como homem.

Outra mudança: julgamento precipitado de situações e pessoas. É extremamente comum efetuarmos um julgamento de valor baseado em primeiras impressões. Certa vez um juiz de direito, com seus 55 anos,  me disse: “é tão difícil julgar. Você não faz idéia. Muitas das respostas estão na filosofia. Apesar de você ler tantas informações contidas nos autos a interpretação da lei não é uma ciência exata, o que torna ainda mais difícil a tarefa”.  Depois disso penso 10 vezes antes de fazer qualquer julgamento sobre alguém ou situação. É necessário conhecer MUITO bem todas as variáveis, versões e, ainda assim, você pode falar besteira.

Mais uma: quase todos evoluem musicalmente. No começo, rola só heavy metal no juízo e o cara compra uma guitarra elétrica para imitar o Slash do Guns n’ roses. O pior é que tem alguns guris que ainda acham que o Slash inventou a guitarra elétrica. Depois de um tempo você percebe que tocar um samba e ver a mulherada dançar é muito mais interessante do que ficar headbanging no meio de um monte de gente de preto, embora aquele CD de heavy continue no seu carro. A mulherada sambando é uma coisa linda. Passinho pra lá, prá cá, bunda pra lá, prá cá. Viva o samba e as mulheres que se propõem a sambar!

No final de tudo você apenas ampliou o seu horizonte. Aquela velha história: quanto mais eu adquiro conhecimento mais percebo que não sei de nada – Sócrates e a filosofia novamente, “só sei que nada sei”.

Karl Marx certa vez disse: “A filosofia veio para explicar o mundo. Agora, cabe a nós mudá-lo”. O primeiro passo é começar por nós mesmos.

Falta de noção

Jimbow in a soft mood..

Sabe quando você trinca o dente olhando de lado e reza para que os próximos 3 segundos passe logo? É o que acontece quando alguém do seu convívio perde um pouco a noção e você fica com vergonha ou raiva.. deles e de você mesmo por estar ali!

Situações plausíveis:

1) Você conhece um indiano gente fina e chama o cidadão para almoçar junto  com a sua galera do trabalho. Alguém no meio da conversa pergunta para o cara se ele tem um elefante em casa. (Nós brasileiros então deveríamos ter macacos em casa)

2) Você sai para um barzinho onde vez por outra rola uma batatinha de aperitivo grátis. Todo mundo está em pé e apenas quem está comendo são as pessoas sentadas. O garçom passa para levar até uma mesa e seu colega de birita que está do seu lado mete a mão com tudo e toma aquele fora.

3) Gente que tira “catota” do nariz e come na sua frente. Um dia ainda vou estudar como o organismo digere tal coisa.

4) Você está caminhando em um local público e um “amigo”, que está a pelo menos 20 metros de distância e com quem você foi para a maior putaria na semana anterior, começa a gritar o seu nome. Coisa do tipo: “Jimbow mermão! Peraê brodinho! E aquela gostosa da semana passada?!”

5) Você encontra um amigo de faculdade que não via faz tempo acompanhado da sua senhora e lembra automaticamente que o cara era o maior dominado. Homem dominado = piadinha: “Essa é a famosa que te mantinha na rédea curta? Prazer conhecê-la!” Era a amante do cara.

6) Você convida alguns amigos para passar o final de semana na sua casa. A mulher de um dos que não foi convidado, de propósito, descobre e chega na cara dura para reclamar o convite. Essa é do tipo que você convida para sua formatura e ela ainda pede uma senha extra pra levar um amigo. Antes fosse uma amiga!

7) Um novato na turma chega para você comentando das garotas. O cidadão foca exatamente em Anita, falando que ela é uma baita gostosa, rabão e uns peitos tipo pêra que são definitivamente apetitosos. Não sabe o cara que ela é a sua namorada.

8 ) Você sai com a gostosa de 25 anos do seu trabalho para o barzinho, toma todas, vai pra sua casa, ambos estão nus, sexo oral e tudo mais o que existe antes da penetração e a mulher “refuga” porque “a guerra entre os etônios e os aqueus…”

9) Você come “o caneco” da mulher e ela vira para você e diz com a maior cara lisa: “Poxa, foi minha primeira vez. Você é foda mesmo..” Se você é do tipo que acredita nessa lorota, reveja seus conceitos.

Depois de viver inúmeras situações embaraçosas acredito que estou conseguindo conviver melhor com a falta de noção. O segredo é rir da situação e deixar o sem noção envergonhado. É uma técnica arriscada que deve ser aplicada como um tiro cirúrgico. Descobri isso quando tive uma crise de risos que acabou deixando a situação ainda pior, combatendo o sem noção com outra atitude sem noção. Fogo contra fogo. Se você está nadando uma piscina olímpica cheia de merda e já chegou na metade, não nade até a borda mais próxima! Isso é ser macho!

Peço, em voz baixa e ciente de que é um pouco sem noção, que você compartilhe a sua história sem noção nos comentários. Vale de tudo. Do pescoço para baixo é canela e quando for amanhã, eu vou lá hoje.

E aí mermão.. tá pensando que eu não posso voar? Foda é que vai assanhar o meu cabelo..

E aí mermão.. tá pensando que eu não posso voar? Foda é que vai assanhar o meu cabelo..

Desistir?

Começa quando tento, um tentar sem querer, te esquecer.

Tudo é uma questão de acreditar que as coisas não terminaram entre a gente. Você, que me deixou tanto tempo metros acima do chão, agora, simplesmente, se vai. Pior do que isso, se foi por minha causa. Na verdade, fui eu que parti. Como posso aceitar que não nos veremos mais depois de tanta intimidade e tantas juras de amor?

A vida é complicada quando se trata de um grande amor, embora muita gente morra sem nem saber o que é isso. Não importa o que, tenho certeza que é um privilégio viver um grande amor. Outras pessoas, mais privilegiadas ainda, têm o prazer por toda a vida, de casar e viver semi apaixonados para sempre. Acreditem, eu acho isso possível…

Na verdade, possibilidade é algo complicado. É quando você se interessa pela garota e alguma amiga dela chega comentando que ela também está afim. Pronto. Uma ligação e a pergunta: “o que acha de nos encontrarmos na próxima sexta-feira para conversarmos no happy hour?” E ela responde: “sexta-feira, hum, tenho uma viagem programada no sábado logo cedo mas,  é possível!” Baaam. É possível. Na sexta-feira você liga para confirmar e dispara:  “depois da nossa conversa foi inevitável ficar pensando em você, o tempo inteiro..”. Ela prontamente confirma: “nossa! Eu também!” Baaam.

Depois do encontro começam a namorar. O sentimento evolui tanto que você diz para ela não haver uma palavra que descreva o que você sente no dicionário e que teria que inventar uma, muito maior do que o simples “amor”.  Baaam. Você diz que ela é SUA MULHER e que você quer ter um filho com ela. Você se sente nas nuvens, love is in the air e o sexo, incrível.

Começam os problemas e por algum motivo, se separam. Alguém teve que partir, a relação foi tão intensa que se desgastou enfim, o grande amor da sua vida não está mais ao seu lado. Depois de um mês a saudade é tão grande que você simplesmente repensa tudo o que viveu e vê que só lembra das coisas boas. A cabeça dá um nó, o aperto no peito é grande, mas aí, você recorda quem provocou isso e tem que agüentar – calado, sofrendo quieto.

Se existe uma moral da história para isso tudo é: nunca, mas nunca mesmo, subestime o “é possível”.

Boa semana santa.

Eu quando era vivo, com minha gata Pam.

Eu quando era vivo, com minha gata Pam.

Mulher guardanapo

O convívio com outros machos em mesas de bar nos rende, além de uma ressaca no dia seguinte, conceitos novos. Entre uma cerveja e outra o assunto é sempre o mesmo: mulher. E não é só mais um clichê. Falamos das diferentes “cadeiras” que pagamos na vida e mulher é uma matéria infinita, nunca vamos parar de “estudá-la”.

Por que vamos na academia? Por que estudamos filosofia? Por que aprendemos a tocar um instrumento musical? Por que fazemos festas de aniversário e festa para comemorar um novo apartamento? Para nos satisfazermos? Ilusão. Para ficar bem para a mulherada, para impressionar a mulherada, para chamar a mulherada, enfim, porque de fato amamos as mulheres, em todos os sentidos.  O objetivo é único: pegá-las!

Todas as vezes que nós machos vamos para a balada é inevitável pensar, no momento que entramos no veículo motorizado em direção ao recinto, na gostosa que pode rolar. Acontece que o relógio as vezes bate três horas da manhã e mesmo depois de 7 pints de cerveja você ainda não pegou ninguém. É nesse momento que sua cabeça dá um reset e o seu objetivo muda completamente: já não quer mais encontrar a mulher mais gata e gostosa que pode aparecer na sua vida mas sim, uma que tem cara de safada e que vai trepar que nem uma devassa. Aquela estória: só tem tu, ela, e o grilo. Tu vais comer o grilo!?

Nem sempre o tiro sai certeiro e damos de cara com a famosa mulher guardanapo: aquela que pega com “nojinho”. A cidadã inerte, completamente passiva e que, depois de você praticamente pegar a mão dela ”a força” e colocar no seu pau, ela nem segura, da uma alisada. Propaganda totalmente enganosa e o pior, não dá pra devolver o produto! Nesse caso pode acontecer duas coisas: executar o serviço e sumir dali ou, com raiva e tesão misturado, você acabar comendo de  uma maneira absurda. A combinação entre os últimos dois elementos provoca o seu instinto mais primitivo, o de reprodução da espécie e, nesse estado, você trata o ser humano do sexo feminino exclusivamente como uma fêmea, trepando alucinadamente. É quando ela se apaixona e você é obrigado a descartá-la afinal, guardanapo não se reusa – a não ser que seja de tecido. Know what I mean?

“Me dá um beijinho vai.. – Beijinho só no útero, toma aê!”
Jimbow agressive mode on, and activated.

Conhece-te a ti mesmo

O título deste é famoso, vem de muitos anos atrás na Grécia antiga quando um certo alguém chamado Sócrates resolveu que o logos (conhecimento) era o pai da racionalidade e que a tragédia grega e sua falta de razão mudariam de rumo vertiginosamente. O ponto é: conquistar os outros, o mundo talvez, é fácil. Difícil é conquistar a nós mesmo.

 

Teríamos um “saco de cose” para discutir em cima da retórica acima, mas acabo escolhendo associá-lo aos relacionamentos passionais. Complicado?

 

Quando conhecemos alguém e nos apaixonamos é como se todas as nossas carências fossem supridas. O ser humano é carente. E somos, sobretudo, um animal impulsivo, dominado por forças que escapam ao controle integral e autárquico da sua consciência. Isso significa que o que de fato nos atrai em determinado alguém muitas vezes é racionalmente inexplicável. Eu acredito que é justamente o que foge do controle. Puramente instinto. É o que nos faz lembrar que essencialmente somos simples animais. E a natureza é tão sábia que colocou no sexo o prazer de perpetuar a espécie. Duro de acreditar, mas somos marionetes neste sentido.

 

Alguns, diante do escrito acima, talvez tenham vontade de sair no meio da rua pelados comendo todo mundo mas não é bem assim. Existe a sociedade e seus princípios. A educação, quando aplicada, nos torna um pouco diferente dos animais “irracionais”. Então, a(o) sua(eu) parceira(o) na maioria das vezes não é escolhida(o) baseado nos seus instintos. O relacionamento ideal deveria ser o casamento entre o racional e o irracional. Filosoficamente falando, entre Apolo e Dionísio. Os dois lados da moeda. Mas, não é bem isso que acontece.

 

Vivemos baseado nas experiências paternas, nas amarras de classes sociais, interesses e tudo mais que nos faça ficar chateado por, inconscientemente, acabarmos sendo influenciados por isso tudo.

 

Quer dizer que não somos donos do nosso destino? Talvez. Ou talvez qualquer forma de onipotência também seja uma forma de ilusão. E ao percebermos que nossos instintos estão de lado e que eles te cobram um preço, acabamos racionalizando em prol da corrente otimista universal que rege as nossas vidas.

 

Sócrates, mesmo sendo o pai da razão, no final abraçou a tragédia grega. É muito difícil viver só de dicotomias, racionalidade. É necessário viver a cultura, a paixão. Ou ainda, uma tragédia grega transfigurada em drama artístico: tudo que nasce – mesmo o que há de mais grandioso – tem de parecer para que o ciclo da vida se perpetue. Sem destruição, não há criação; sem trevas não há luz; sem barbárie e crueldade não há beleza nem cultura.

 

Complemento: sem um fim doloroso não existiria uma grande paixão…

 

(Nos ouvidos: Gotan Project – La Revancha Del Tango)

 

Autor: Jimbow

 

Um amigo para contribuir…

Bravo! Agora eu tenho um novo colaborador. O James Douglas Morrison, vulgo Jimbow, morreu fazendo uma suruba espiritual na banheira de um hotel, ou algo do tipo… Não importa! Mas o cara renasceu e veio até o ComidapraMacho.com para contar suas viagens, filosofias e aventuras surubísticas.

 

Falando em suruba, acompanhem este “Manual de Boa Conduta Numa Suruba”, pelo Homem Errado, vale à pena!