Arquivo para Maio, 2009

Objetividade?

E ai eu cheguei junto. Dancei, sorri, ela sorriu, feliz, ficou fazendo caras e bocas e depois me deu a noite inteira de conversa. Na hora do vamos ver não quis, disse que tinha namorado, prontamente retrucado que não sou ciumento.

Acho que foi o “que não sou ciumento” que melou o clima. Ou será que foi realmente o fato de ela ter namorado? Ou alguma merda que falei no meio do caminho. Enfim. Que conversa de mulherzinha, mas é foda, ela me fez sorrir a noite toda, me fez achar que íamos dormir juntos, jogou todo o seu charme e depois disse que tinha namorado. É cada uma.

Diante dessa situação me pergunto se realmente seria ruim se as pessoas fossem sinceras logo de cara uma com as outras. Coisa do tipo: “Oi, prazer, Jimbow”. Dois beijinhos. “Prazer, Clara”. Um belo sorriso de ambas as partes, engatando logo um “Já estava há um bom tempo te curtindo ali, a distância. Resolvi encurtar. Essa globalização não tá com nada, o negócio é regionalizar” e ela responde “Totalmente de acordo, a distância torna tudo muito impessoal”. Você manda outra: “Tou no auge da vibe do whisky, tem uma pedra em cima do morro, e ai, rola?” E ela pode responder: “Quando for amanhã, vamos lá hoje!”.

O que vale é a objetividade da coisa. Se a gata estiver “namorado” ela já manda essa do “namorado” porque vai saber suas intenções afinal, ninguém fica conversando a balada toda para virar melhores amigos. O problema é que o ritual do acasalamento animal insiste em permear a sociedade homo sapiens.

Seria interessante se a conversa fosse plenamente desenvolvida na fila para pagar a conta, que as vezes é bem extensa, dentro do carro a caminho da casa do amor, antes e durante, no melhor estilo sincero-romântico-tarado, com carinho e beijinho de despedida. Pode até ser que desse namoro afinal de contas, química é foda.

Masters 1000 Roma

Jimbow sports fan.

Este post não é apenas sobre tênis. Esse vai para aqueles que dizem, sem conhecer o esporte, que é chato e que só tem bolinha pra lá e pra cá sem muita emoção. Na verdade, para qualquer um que gosta de esportes e já praticou um esporte coletivo e outro individual percebe a beleza do tênis.

Nos esportes coletivos você é parte de um time ou seja, a responsabilidade é dividida. Nos esportes individuais como tênis, artes marciais, ginástica olímpica e outros a pior pressão não é a que vem de fora mas sim, de dentro.

No melhor estilo “homo homini lupus” de Thomas Hobbes, onde ele afirma que o “homem é o lobo do próprio homem”, tênis é uma guerra de nervos, constante, onde você tenta não se boicotar. Você não joga só contra o adversário, joga contra você mesmo. Na hora do saque você tenta pensar positivo para a bola entrar certo no campo adversário mas é inevitável pensar o contrário. Quando a bola vem do outro lado e você se prepara para rebater tem que ter confiança, achar que vai acertar, ainda mais se for no backhand.

Tenho certeza que o tênis é tão difundido e tem premiações exorbitantes porque a admiração do público não é só técnica, mas pessoal. É como se quiséssemos ter a força mental de alguns tenistas.

O Nadal, por exemplo, tem 22 anos e é um monstro mentalmente. Dotado de uma concentração ímpar jamais perde a linha no jogo, aconteça o que acontecer. Todos que deram alguma chance para ele perderam e não foi diferente ontem contra o sérvio Djokovic. O “Djoko”, apesar de excelente tenista, n. 3 no ranking da ATP, é um pouco temperamental: joga raquete no chão, urla e faz uma linha meio show man. Já o Nadal sempre sereno e focado no seu objetivo.

Sinceramente? Eu invejo tamanha concentração e força interna do Nadal. Isso sem contar a humildade do cidadão. Parece que, internamente, basta para ele mesmo saber que é o primeiro do mundo. É uma satisfação pessoal que não lhe sobe a cabeça mesmo diante de todos os mimos externos. Belo exemplo não?

Rafael Nadal comemorando vitória no ATP Master Series de Roma. Foto: UOL (www.uol.com.br)

Rafael Nadal comemorando vitória no ATP Master Series de Roma. Foto: UOL (www.uol.com.br)