24h em Amsterdam (parte 2 de 3)

Neste meio tempo, duas pessoas do grupo compram um Space Cake. Um singelo muffin de chocolate com instruções de uso! Bota fé?

Começamos a andar pelas ruas em direção ao Red Light. O problema são os TRAMS, trens com dois vagões que andam na superfície em meio aos carros e aos 300.000 ciclistas. O tempo todo com medo de ser atropelado. É aquela coisa: se você for atropelado em Amsterdam, mesmo sem ter consumido nada, NUNCA ninguém vai acreditar na sua história. Se você morrer então, vai ser para sempre o patinho feio drogado da família que morreu porque estava doidão. Esse foi o segundo insight!

O terceiro insight foi achar que éramos bandeirantes, do nosso Brasil varonil, desbravando um novo mundo, abrindo novos caminhos, construindo um novo país, anexando uma nova nação. “Somos bandeirantes cortando a foice árvores, abrindo clareiras na selva, colonizando e descobrindo o admirável mundo novo de Huxley!*”

Chegando em uma das pontes no Red Light District, já meio escuro e todas as luzes das vitrines pornôs acesas, veio o quarto insight quando começo a cantar: “Everybody, wants your body yeah.. Backstreet’s back all right!” Todo mundo cantando junto comigo, quase como num coral gospel imitando o Queen em Bohemian Rhapsody, só que a letra é ROCK YOUR BODY, mas o insight está justamente aí, na vitrine todas as mulheres se exibindo WANTS YOUR BODY ficou perfeito. Não perguntem por que veio essa música na cabeça e a mudança da letra.

Certas horas conseguia isolar a audição só para o meu ouvido direito, depois o esquerdo, podendo escutar com perfeição tudo que me falavam ao redor. Aquele frio, as pessoas, os canais, o Red Light, putz, que mágica!

Andando pelo Red Light paramos para trocar uma idéia e saber quanto era: 50 euros por 20 minutos. Você entra, a mulher fecha a cortina, e manda ver ali mesmo pelo visto. Vimos dois caras que estavam com seus respectivos grupos e resolveram encarar, lógico que foi a maior zona dos amigos. O Red Light é muito louco, nessa hora me veio o quinto insight: “Como será que os pais educam os filhos aqui em Amsterdam? “ Criar um filho na Babilônia não deve ser coisa fácil! Prostituição e drogas não são ilegais e, apesar de todo mundo saber que existem em qualquer lugar do mundo isto ainda é visto com maus olhos. E quando estes valores perdem o valor? (meio clichê mas não achei outra forma) O que você ensina para os seus filhos? “Filhinho, use pouca droga tá? Coma poucas putas também.. não é porque é todo mundo faz que você tem que fazer. Por exemplo, se todos estiverem comendo bosta, você não vai comer não é?

Continua…

* Aldous Huxley – The doors of perception, heaven and hell.

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