Textos categorizados 'coffee shops'

24h em Amsterdam (parte 3 de 3)

Já são 23h. Vamos para um outro lugar da cidade que está cheio de bares e boates. Chegando lá, coffee shop (2). Saindo do lugar bate uma crise de frio absurda. Musculatura toda travada, pés se arrastando para atravessar as ruas, tremendo, muito. Temperatura? Uns 12 graus, a mesma antes de entrar no coffee. Pleno verão europeu e 12 graus.

Entramos em um bar. Depois de sentarmos precisávamos consumir alguma coisa para justificar a “estadia”. Convido um amigo para o balcão e recebo um sonoro VAI TOMAR NO CU, VAI SE FUDER. Pergunto a ele o por quê e ele me repete as delicadezas. Explico que só estava convidando para pegar uma bebida no bar e ele aceita na boa.

Alguns não vão para a boate, que teoricamente estaria bombando, e estou nesse grupo. Voltar para o albergue, a missão. Sem conseguir entender o mapa direito (o mapa de Amsterdam não é coisa fácil de ser lida!) demoramos 1:30h para chegar, coisa que levaria no máximo 30min a pé.

No meio do caminho, parado em um cruzamento de uma praça me preparando para atravessar veio o sexto insight: chega um cidadão do meu lado dizendo que poderia me ajudar caso eu estivesse perdido e respondo gentilmente que sei para onde estou indo (ha ha ha). Prontamente o indivíduo olha para a praça e diz: “Esta é TIMES SQUARE, você sabia disso?!” Eu, sem entender direito, viro para a praça e procuro semelhanças com a Nova Iorquina, sem sucesso obviamente, e viro para ele perguntando, na maior cara de pau: “Você tem certeza que esta é TIMES SQUARE? “ Ele pára, pensa um pouco e vira para mim gesticulando:  “Não.. hum.. não.. talvez o outro lado, aquele lá, seja TIMES SQUARE”. Ok…

Chegando no albergue o maluco que estava dormindo na cama que eu deveria ficar CONTINUA dormindo! Seqüela é apelido.

Acordamos as 9, e o maluco, continuava dormindo. Saímos as 10, depois de um café da manhã regado a suco e suco. Tinha umas maças oleosas para comer que preferi não encarar. O bar era do lado do fumódromo, onde as 9:30h da manhã já tinham 5 pessoas carburando o cigarrinho do capeta.

Programinha cultural: museu Van Gogh, ruas da cidade, almoço, passeios, coffee shop (3), Red Light District novamente, desta vez de dia, algumas fotos mais e me vejo dentro do carro em direção a Bruxelas. Quatro horas depois chegamos, depois de termos entrado em duas auto-estradas erradas.

Conclusão: I amsterdam!!

24h em Amsterdam (parte 2 de 3)

Neste meio tempo, duas pessoas do grupo compram um Space Cake. Um singelo muffin de chocolate com instruções de uso! Bota fé?

Começamos a andar pelas ruas em direção ao Red Light. O problema são os TRAMS, trens com dois vagões que andam na superfície em meio aos carros e aos 300.000 ciclistas. O tempo todo com medo de ser atropelado. É aquela coisa: se você for atropelado em Amsterdam, mesmo sem ter consumido nada, NUNCA ninguém vai acreditar na sua história. Se você morrer então, vai ser para sempre o patinho feio drogado da família que morreu porque estava doidão. Esse foi o segundo insight!

O terceiro insight foi achar que éramos bandeirantes, do nosso Brasil varonil, desbravando um novo mundo, abrindo novos caminhos, construindo um novo país, anexando uma nova nação. “Somos bandeirantes cortando a foice árvores, abrindo clareiras na selva, colonizando e descobrindo o admirável mundo novo de Huxley!*”

Chegando em uma das pontes no Red Light District, já meio escuro e todas as luzes das vitrines pornôs acesas, veio o quarto insight quando começo a cantar: “Everybody, wants your body yeah.. Backstreet’s back all right!” Todo mundo cantando junto comigo, quase como num coral gospel imitando o Queen em Bohemian Rhapsody, só que a letra é ROCK YOUR BODY, mas o insight está justamente aí, na vitrine todas as mulheres se exibindo WANTS YOUR BODY ficou perfeito. Não perguntem por que veio essa música na cabeça e a mudança da letra.

Certas horas conseguia isolar a audição só para o meu ouvido direito, depois o esquerdo, podendo escutar com perfeição tudo que me falavam ao redor. Aquele frio, as pessoas, os canais, o Red Light, putz, que mágica!

Andando pelo Red Light paramos para trocar uma idéia e saber quanto era: 50 euros por 20 minutos. Você entra, a mulher fecha a cortina, e manda ver ali mesmo pelo visto. Vimos dois caras que estavam com seus respectivos grupos e resolveram encarar, lógico que foi a maior zona dos amigos. O Red Light é muito louco, nessa hora me veio o quinto insight: “Como será que os pais educam os filhos aqui em Amsterdam? “ Criar um filho na Babilônia não deve ser coisa fácil! Prostituição e drogas não são ilegais e, apesar de todo mundo saber que existem em qualquer lugar do mundo isto ainda é visto com maus olhos. E quando estes valores perdem o valor? (meio clichê mas não achei outra forma) O que você ensina para os seus filhos? “Filhinho, use pouca droga tá? Coma poucas putas também.. não é porque é todo mundo faz que você tem que fazer. Por exemplo, se todos estiverem comendo bosta, você não vai comer não é?

Continua…

* Aldous Huxley – The doors of perception, heaven and hell.

24h em Amsterdam (parte 1 de 3)

Yeah! Jimbow at Amsterdam! Qualquer estória aqui escrita é meramente estória com “E” mesmo.

Grupo reunido, todo mundo na empolgação pelo que estava por vir: voar de Ryanair, companhia “low cost” européia. Ha Ha Ha. Negativo, o que estava por vir era Bruxelas e depois, Amsterdam: a Meca dos porras loucas, a Babilônia européia, a maior concentração de gente afim de zoar o tempo inteiro resumindo, expectativa era uma palavra pequena para descrever a sensação.

Primeiro de tudo: chegar em Amsterdam. Carro alugado em Bruxelas, afinal são apenas 200km da Babilônia. Para economizar uma grana foi sem GPS e com um mapa nojento. O fdp responsável por montar as trajetórias no Google Maps não fez o dever de casa. Ah.. todo grupo tem sempre um cara que é o famoso pau no cu, que ou está demasiadamente pilhado ou se esquecesse de coisas que não eram para ter esquecido.

Depois de 3:30h de viagem, que deveria ter durado apenas duas horas mas perdidos é um adjetivo pouco expressivo neste caso, chegamos ao albergue ao som de ALELUIA, uma música gospel que tocava na rádio! Podem acreditar. Oh yeah, albergue em Amsterdam. Já que estamos no inferno, vamos dar um abraço no capeta! Dividir quarto com um monte de gente maluca, drogada e que só dorme quando realmente está a beira da morte. Confesso que dormi com celular, carteira e passaporte embaixo do travesseiro e o resto enfiado em um locker. Contra maluco todo cuidado é pouco e Amsterdam é foda nesse sentido, tem que se garantir.

Quando cheguei deveria ficar na cama 5, que já tinha uma maluco dormindo que acordou meio grogue sem entender o que acontecia. Consegui me transferir para outra cama. Memorizem esse maluco, ele vai ser mencionado mais na frente.

Imediatamente depois de “instalados” saímos do albergue em direção ao red light district, onde estão todas as prostitutas nas vitrines. Quem nunca ouviu falar Google it! Só que ainda era de dia e agora só escurece as 21:30hs ou seja, vamos fazer uma horinha.. num coffee shop (1)! Psicodélico é pouco para o lugar, parecia um underground, cheio de pinturas loucas e mesas bem diferentes. Na entrada demos uma olhada no menu e, depois de meditar sobre uma tal de White widow (viúva branca) optamos pelo Canabis Cup Last year winner. Só na campeã! A Holanda todos os anos faz uma competição entre as diferentes plantas, eliminando naturalmente o que não é bom.

Vamos aos detalhes que não sabia antes de ir até lá: na Europa ninguém fuma maconha, ou é Haxixe ou Skunk, que são muito mais fortes do que Brasileiro que já deu um pega está acostumado. Tenho certeza que tem gente que só caiu a ficha agora que a banda brasileira é uma apologia ao nome de uma droga.

Outra informação: você compra no coffee shop e para fumar lá dentro tem que consumir alguma coisa, de preferência analcolico porque o negócio já é um coice da mula manca, o famoso quebra molas.

Primeiro insight: dois computadores dentro do coffee shop. Um casal de seus 65 anos mandando singelamente um e-mail para os filhos. Imagino o teor do texto: “Filhões, estamos bem, tudo tranqüilo, tudo na paz. Estamos na Holanda, muito bonita a arquitetura, Van Gogh era Holandês sabiam? Estamos enviando este e-mail de dentro do hotel, todo mundo gente fina, só que cheira diferente. A situação econômica da Lapônia ta complicada, acho que este ano o papai Noel não vai ter dinheiro para os presentes. Beijos, amo vocês. Estamos transando muito.”

Continua…