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Se fudendo no Carnatal 2008.

Em 2008 fui pela primeira vez para o Carnatal, sempre ouvi ótimos comentários sobre a festa, mas nunca tive oportunidade de ir, pois sempre acontecia algum imprevisto que me faziam cancelar a viagem. O Carnatal é uma mistura de Natal (mulheres gatas e fáceis) com Carnaval (putaria), Carnaval + Natal = Carnatal. Nem preciso dizer que gostei, né? Afinal, com uma receita como esta não tem como dar errado.

 

Nos dois dias que saí, o bloco começou cedo e eu e meus amigos acabamos saindo com pressa sem fazer um esquenta, o começo do bloco era sempre monótono, sóbrio só conseguia achar aquilo uma grande basbaquice, um bando de retardado correndo atrás de um caminhão tocando musica baiana dentro de um corredor cheio de camarotes com pessoas acompanhando todos os seus movimentos, que tipo de ser pode gostar disso!? Mas foi só sair do corredor da folia, para o álcool fazer efeito, tudo ficar uma maravilha e a pegação rolar sem limites de credo, raça ou cor!

 

Mas algo nunca tinha me acontecido, no meio do bloco conheci uma menina de Fortaleza, quando falei que era de Recife recebi um sorriso imediato e a seguinte frase: “Fortaleza e Recife…” não tive dúvida e completei: “… COMBINAM!” e tasquei um beijo. Continuamos juntos até que ela se perdeu das amigas, os meus já tinham sumido há tempos, percebi que ela estava ficando bêbada demais, e propus irmos para o meu hotel, ela gostou da idéia, mas preferiu ir depois e ficar mais tempo no bloco. Porém ela continuou bebendo e bebendo e bebendo e começou a tropeçar e passar mal.

 

Foi ai que o pesadelo começou, eu odeio gente bêbada e não tenho paciência para cuidar de animais, ainda tentei ajudar a cearense, comprei um refrigerante pra ela e dois goles foram suficientes pra vomitar tudo – EM MIM! Carreguei-a até um táxi e tentei despachar, mas o taxista não sabia onde ela morava, ela também não conseguia falar e eu tive pena daquele ser, voltei para o caminho dos blocos. A essa altura o meu bloco já tinha passado e o seguinte já estava chegando quando tive uma ótima idéia.

 

Pensei bem e vi que não valia a pena perder o meu carnatal por alguém que não soube brincar, também não tive a mínima culpa se as amigas não ficaram juntas, e sabe o que mais, nem amigo dela eu era. Sendo mais objetivo, vi que não havia possibilidades de sexo naquela noite, então pra que ficar com aquele mamulengo (ela já não se agüentava em pé)?

 

Sentei-a no chão, disse que ia buscar um táxi para ela e voltava rápido, ela dizia: “Não me deixe, cuida de mim, fica comigo, por favor!”. Foda-se! Virei e sai vagarosamente, com aquele ar de quem vai voltar, mas foi só ela me perder de vista pra sair correndo de volta pro meu bloco! Fiquei feliz e pulei de alegria de ter conseguido me livrar do pesadelo. Foda foi quando coloquei a mão no bolso e vi que todo o dinheiro dela, que eu tinha pego dela quando entramos no táxi estava comigo, resumindo: abandonei a menina bêbada, sozinha e sem um real, será que ela se fudeu?

 

Manchete na televisão no dia seguinte: “Garota de 20 anos some no Carnatal ontem!”! Aff… Melhor nem saber no que deu!

O Canalha, o Cafajeste, e o Cabra Safado…

Aproveitando a deixa do Cafa (Manual do Cafajeste), que fez o favor de diferenciar o canalha do cafajeste, vou detalhar o Cabra Safado, uma espécie tipicamente nordestina, que migrou em busca de uma vida melhor para outras partes do país, onde o sol não queima tanto o juízo, mas manteve seus aspectos peculiares:

 

1-) O canalha transa com uma garota e sai contando pra todos os seus amigos pra tirar vantagem e descarta ela da sua lista.

O cafajeste transa, conta só pra seus amigos mais chegados, mas mantém contato com a garota. Afinal ele pode precisar dos seus favores quando tiver na seca.

O Cabra Safado conta pros seus amigos, se tiver bêbado conta pra todo mundo, mas ele não se prende por muito tempo, usa duas ou três vezes, se for boa mesmo usa até mais, e de depois passa pra frente, até por que: “Passar uma mulher pra trás é fácil, difícil é passar ela pra frente!”

 

2-) O canalha sai beijando todas que ve pela frente na balada. É muito legal ficar disputando com os amigos quem beija mais (afinal seu cérebro parou de se desenvolver aos 14 anos de idade).

O cafajeste escolhe uma só, a mais interessante. Fica com ela a noite toda, troca até contatos, por que se não sair do lugar pra transar com ela, vai transar num outro dia.

O Cabra Safado sabe atuar das duas maneiras, na micareta pega todas, como um retardado, mas não passa uma sem fazer uma jura de amor, pega o telefone das mais gostosas para tentar um after. Na balada, ele começa dando em cima das bonitas, passa um tempo, se perceber que não vai rolar algo mais, vai para a próxima, um pouco mais feia, se não conseguir um “plus”, passa para as barangas… E se as outras o verem? Fodam-se, os fins justificam os meios!

 

3-) O canalha não sabe tratar bem uma mulher. É grosso, mal-educado, destrata pessoas humildes ou empregados como prova de superioridade.

O cafajeste sabe quando e que intensidade agradar. Compra chocolate, bichinhos-bonitinhos-de-pelúcia e leva a restaurantes finos, com o único objetivo de fazer a mulher se sentir valorizada e assim alcançar seu objetivo, sexo.

O Cabra Safado trata bem, até a hora de dar um pé na bunda, ai ele começará a chamá-la carinhosamente de “cadela fedorenta”, ou algo do gênero.

 

4-) O canalha é burro. Seu senso crítico limita-se a análise do gol mais bonito da semana ou de qual a mais gostosa do Big Brother. O cafajeste sabe se virar em qualquer assunto, se é necessário discutir sobre a moda da estação na frente de mulheres ele vira um estilista, se a garota é fã de Chopin ele se torna um freqüentador de concertos, etc.

O Cabra Safado tem o papo certo para levar a conversa para a sua área de atuação. Por exemplo: se uma arquiteta começa a falar de arquitetura, ele fala de desenho predial, estruturas e ai ta na engenharia civil.

 

5-) O canalha adora aparecer. Estufa o peito na frente das mulheres, faz piadas prontas, é o amigão de todo mundo e só sabe contar vantagem.

O cafajeste não precisa de auto-promoção, o boca a boca é feito pelas próprias pessoas que estão ao seu redor. Ele se adapta ao ambiente mudando sua personalidade de acordo com a ocasião. Ou seja, um é pavão o outro camaleão.

E o Cabra Safado é o Leão! Ele tem sua reputação, as mulheres sabem de quem se trata, quando chega no seu habitat natural, ele se sente o rei! E já que estamos na selva: “Um homem sem cultura é como uma zebra sem listras!”, para os mais lentos, uma zebra sem listra é um jumento, hã hã? Se ligou agora?

 

6-) O canalha mente. O cafajeste omite.

O Cabra Safado “omente”. Esconda seus defeitos e conte umas mentirinhas a mais, não há problema em multiplicar tudo por 1,5. Mas o equilíbrio é sempre importante.

 

7-) O canalha não sabe elogiar (ou xavecar, como se diz em sampa). Quando o faz é tão ruim que se torna uma cantada de pião, “uau, que gata!”, “que delicia”, “o la em casa”.

O cafajeste sabe elogiar os pontos-chaves da mulher, “nossa, lindo o seu cabelo”, “que sorriso”, “você emagreceu?”.

O Cabra Safado sabe conversar, ele nunca vai perceber um cabelo diferente, ou um sorriso clareado, mais vai chegar no “que delicia” com suavidade!

 

8 -) O canalha não sabe cuidar de mais de uma mulher. Acaba confundindo nomes, esquece de ligar pra uma, dá mais atenção pra outra, deixa pistas, etc.

O cafajeste sabe tratar todas por igual, quando não está afim de sair com uma ele liga ou manda um sms “bonitinho” pra não perder contato. E mesmo que a mulher saiba que ele é um cafajeste, ele a faz crer que é especial e que pode rolar algo sério.

O Cabra Safado tem seu ranking: todas merecem uma, poucas merecem duas, nenhuma merece três!

 

9-) O canalha deixa pista. Seu scrapbook é lotado de recadinhos de mulheres, no subtitle do seu msn ele cita nomes de mulheres, seu celular está cheio de mensagens comprometedoras e sua mãe sempre entrega o jogo (”o x saiu com uma amiga”).

O cafajeste apaga todas as pistas, seu scrapbook é apagado diariamente, o msn tem nicks abrangentes que podem ser adaptados pra qualquer uma (”Que saudades de você”), o celular nunca tem mensagens, e sua mãe é grande aliada pois ele sempre diz pra ela que foi na casa de um amigo.

“Eu juro que são todas minhas amigas de infância!”

 

10-) Canalha é substantivo, cafajeste adjetivo.

Cabra Safado é objeto direto! Créu!

 

Porra, gostei de fazer isso, vou tungar mais textos alheios!